Por que neurodivergentes possuem seletividade alimentar?

Segundo especialista, o comportamento pode estar associado à forma como o cérebro percebe, interpreta e processa os estímulos sensoriais

Publicado em 28 de setembro de 2026Escrito por Mark Nascimento
Por que neurodivergentes possuem seletividade alimentar?

A seletividade alimentar se caracteriza pela aceitação restrita de alimentos ou rejeição específica a determinados sabores, texturas, aromas ou formas de apresentação. Em pessoas neurodivergentes, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse comportamento pode estar associado à forma como o cérebro percebe, interpreta e processa os estímulos sensoriais, tornando algumas experiências mais intensas ou desconfortáveis.

De acordo com Edvan Filho, psicólogo e professor do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, existe uma relação entre seletividade alimentar e alterações no processamento sensorial. “Alguns estímulos que parecem comuns para pessoas neurotípicas podem ser muito intensos para um neurodivergente. Uma textura, um cheiro ou até a temperatura costumam gerar desconforto muito grande e levar à rejeição”, explica.

Sabor, cor, textura, cheiro, temperatura e aparência. Todos esses fatores podem influenciar a aceitação ou a rejeição. Por isso, é fundamental identificar o causador do desconforto em cada pessoa, pois muitas só conseguem consumir determinados alimentos quando eles são preparados de uma forma específica.

“Quando é muito intensa, a seletividade costuma afetar tanto a alimentação quanto o bem-estar emocional. O indivíduo pode desenvolver ansiedade durante as refeições, evitar situações sociais e até sentir vergonha. Além disso, há a possibilidade de as constantes cobranças da família transformarem o momento da refeição em uma fonte de conflito”, comenta o psicólogo.

Nos casos mais severos, quando a variedade de alimentos é muito pequena, pode existir risco de uma alimentação pouco diversificada. É importante observar a intensidade da seletividade e buscar avaliação profissional quando ela começa a comprometer a rotina e a qualidade de vida.

Para lidar com a seletividade sem gerar conflitos, familiares não devem transformar a alimentação em uma batalha. Pressionar, ameaçar, punir ou obrigar a pessoa a comer pode aumentar a ansiedade e até fortalecer a rejeição.

“O caminho é compreender o motivo da recusa e respeitar o ritmo da pessoa. A introdução de novos alimentos deve acontecer de maneira gradual. É possível trabalhar a aproximação, o olhar, tocar, cheirar e conhecer a comida. O mais importante é reduzir a ansiedade e aumentar a sensação de segurança. Pequenos avanços também são conquistas importantes nesse processo”, finaliza Edvan Filho, docente de Psicologia da UNINASSAU Maceió.

Imagem: Magnific

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