Saiba os riscos de buscar orientações jurídicas usando Inteligência Artificial

Ferramentas podem trazer leis defasadas na hora de gerar respostas

Publicado em 14 de outubro de 2026Escrito por Artur Vasconcelos
Saiba os riscos de buscar orientações jurídicas usando Inteligência Artificial

Com a grande divulgação e o uso em massa das ferramentas de Inteligência Artificial (IA), dúvidas comumente tiradas com advogados agora são repassadas para chatbots. Apesar da tecnologia ser usada para facilitar o acesso a informações, como leis e direitos, ela também pode trazer riscos. Por exemplo, respostas imprecisas, interpretações que não levam em consideração às subjetividades de cada caso e respostas desatualizadas. Além disso, há a possibilidade de o compartilhamento de alguns dados nessas plataformas expor informações sensíveis.

Segundo a coordenadora do curso de Direito da UNINASSAU Jockey, Especialista em Direito e Processo do Trabalho e Mestre em Ciência Política, Déborah Christina, a Inteligência Artificial pode consultar até sites estrangeiros, o que demanda dos usuários um cuidado redobrado. “Na hora de fazer uma pergunta para a IA, é preciso ficar atento a sua resposta, pois a legislação sofre uma atualização justamente para acompanhar as demandas da sociedade. Então, é preciso entender as consequências disso. A dica é: se o valor da causa é alto e ela for delicada, busque um advogado. Ele vai saber orientar melhor com sua experiência de especialista”.

A coordenadora elenca ainda situações em que a IA é uma aliada, seja na hora da busca por informações ou para exemplificar, na prática, contextos em que a presença do advogado é indispensável. “A Inteligência Artificial não tem emoção. Se o desejo é por uma informação totalmente imparcial, isenta de viés político e sociológico, ela é perfeitamente recomendável. Já em casos mais delicados, como de violência doméstica, a prova é analisada diferentemente. Por exemplo, a palavra da vítima vai ter muita força e isso precisa ser levado em conta nesse tipo de processo. A Inteligência Artificial não vai dar esse resultado dentro desse contexto social. O mesmo serve para situações envolvendo direitos das famílias, englobando o Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirma Déborah Christina.

De acordo com a coordenadora do curso de Direito da UNINASSAU Jockey, o uso prévio das ferramentas de IA é positivo para que, antes da pessoa ir até o advogado, ela já tenha consciência dos direitos e entenda melhor a temática. A Inteligência Artificial é vantajosa para compreender melhor os temas e buscar outras fontes. Porém, para tomar decisões importantes, o profissional é o mais recomendado, pois ele se responsabiliza pelo fato.

Para finalizar, é necessário alertar os usuários a terem cuidado ao compartilhar informações pessoais em ferramentas de Inteligência Artificial. Senhas e credenciais de acesso, informações bancárias, números completos de cartões, documentos sigilosos, dados protegidos por segredo de justiça, informações pessoais de terceiros sem autorização e documentos confidenciais precisam permanecer em sigilo.

Imagem: Magnific

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