Vai adotar um gato? Saiba quais cuidados são necessários para receber o novo pet
Adotar um animal de estimação exige responsabilidade e compromisso com seu bem-estar ao longo da vida. Segundo dados do Instituto Pet Brasil (IPB), em 2025, a população de gatos nos lares brasileiros cresceu 5,4%, passando de 29,2 milhões para 30,8 milhões. Com o aumento da presença dos felinos, conhecer as necessidades do pet é fundamental para garantir uma adoção responsável, desde o planejamento até os cuidados com a saúde e a adaptação ao novo ambiente.
Antes de adotar, é importante avaliar a rotina e as condições da moradia. Segundo Renée Cristine, especialista em felinos e professora do curso de Medicina Veterinária da UNINASSAU Rio de Janeiro, apesar da fama de independentes, os gatos precisam de atenção. “Eles precisam de interação diária, com brincadeiras, carinho e convivência, além de alguém que cuide da alimentação, da água e da limpeza da caixa de areia. É importante pensar também em quem cuidará deles durante viagens ou imprevistos”, explica.
Além de reservar tempo para os cuidados diários, o futuro tutor deve preparar a casa para receber o animal. O ambiente precisa ser seguro, com telas de proteção em janelas e varandas, além de arranhadores, prateleiras e esconderijos. Também é necessário considerar os gastos com ração, areia sanitária, consultas, vacinas, vermifugação, controle de pulgas, castração e possíveis emergências. Outro ponto importante antes da adoção é verificar se há pessoas com alergia na família e se todos os moradores concordam com a chegada do animal.
Como os felinos são territorialistas e podem levar algum tempo para se adaptar a mudanças é importante essa atenção com o ambiente. “Se não houver outros animais na casa, o responsável pode preparar um cômodo tranquilo com caixa de areia, água, comida, cama e um esconderijo. Ao chegar, deve deixar o gato sair da caixa de transporte por conta própria e liberar o acesso aos demais ambientes aos poucos, conforme ele demonstrar curiosidade e tranquilidade”, orienta Renée.
Durante esse período, o comportamento do animal ajuda a identificar como está a adaptação. Esconder-se por longos intervalos de tempo, comer pouco, bufar ou ficar agachado podem ser sinais de insegurança nos primeiros dias. Esse processo pode levar de dias a semanas, dependendo do ritmo de cada gato. Para facilitar a aproximação, a especialista recomenda respeitar o espaço do animal e evitar forçar o contato. “Deixe que ele escolha a hora de se aproximar. Sentar no chão, falar baixo e oferecer petiscos ajuda a construir confiança. Piscar lentamente também é um sinal de tranquilidade na comunicação felina”, acrescenta.
Além dos cuidados com o ambiente e a adaptação, o acompanhamento veterinário é essencial para preservar a saúde do animal. Após a adoção, mesmo que o gato pareça saudável, é importante levá-lo a uma consulta. O profissional poderá realizar um exame clínico, definir o calendário de vacinação, orientar sobre vermifugação e castração e recomendar testes para FIV e FeLV, especialmente em animais resgatados ou de origem desconhecida. Outra medida que pode ser considerada é a implantação de um microchip, que funciona como uma identificação permanente do animal e facilita sua devolução ao responsável caso ele fuja ou se perca.
Os cuidados necessários também variam conforme a idade do felino, aspecto que deve ser considerado na hora da escolha. Filhotes exigem mais tempo, supervisão e acompanhamento veterinário, enquanto os gatos adultos já apresentam um temperamento mais definido, o que pode facilitar a identificação de um animal compatível com a rotina da família. Já os gatos idosos, que são aqueles a partir dos dez anos, também podem ser companheiros afetuosos e tranquilos, embora possam precisar de acompanhamento veterinário mais frequente.
Independentemente da idade do animal, alguns erros podem comprometer seu bem-estar e dificultar a convivência. Entre eles estão deixar janelas e varandas sem proteção, forçar contato físico, gritar ou punir o gato, oferecer alimentação inadequada, negligenciar a caixa de areia e o enriquecimento ambiental e adiar vacinas e castração. Mudanças bruscas na alimentação e na rotina também devem ser evitadas.
Para Renée Cristine, conhecer o comportamento dos felinos é essencial para construir uma relação saudável e duradoura. “O gato não é um animal que se cuida sozinho. É sensível, inteligente e cria vínculos com quem o respeita. Também não é traiçoeiro nem vingativo. Conhecer o comportamento felino é a melhor forma de garantir uma convivência feliz e saudável”, conclui.
Imagem: Magnific






